A distorção da imagem do próprio corpo pode ser um transtorno psiquiátrico

Você já ouviu falar transtorno dismórfico corporal (TDC) ou dismorfia corporal?
A distorção da imagem do próprio corpo pode ser um transtorno psiquiátrico

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MAI

Trata-se de uma doença psiquiátrica caracterizada pela percepção alterada de si mesmo diante do espelho.

Capaz de provocar enormes estragos na autoestima de pacientes, a doença, apesar de grave, ainda é muito pouco conhecida.

O pior é que, justamente por suas características específicas, a patologia é erroneamente confundida com excesso de vaidade. 

Embora tenha sido descrito, pela primeira vez, já no fim do século XIX, só agora o referido mal é debatido de forma aberta e, estima-se que - atualmente - atinja cerca de 2% da população global (estatísticas dão conta de que no Brasil seriam cerca de 4 milhões de pessoas afetadas). 

Como principal característica, a doença traz em seu bojo traços de compulsão claramente identificados pelo(a) paciente, porém dificilmente registrados pelas pessoas que estão ao redor dele(a). O que acontece é que o(a) doente não apenas enxerga sua imagem distorcida, como também age de forma obsessiva, sempre em consequência dessa noção alterada. É quando, com a intenção de "esconder o defeito imaginado", é possível ver uma pessoa checando - repetidas vezes - a própria aparência no espelho. Pode ser por meio de escovação do cabelo, exagero nos cuidados estéticos ou qualquer outro comportamento similar.

De acordo com especialistas é o tipo de paciente que não descansa enquanto não se submete a inúmeros procedimentos voltados para a correção de problemas mínimos ou que simplesmente não existem. 

E não adianta, por mais que o resultado seja excelente, este(a) paciente jamais ficará satisfeito(a). 

Sem medo de errar, o maior perigo na esteira de referida distorção de imagem pode ser representado pela frequente escolha de cirurgias plásticas voltadas para a "correção" sucessiva de um mesmo problema. 

Além disso, o TDC dificilmente se manifesta sozinho. Frequentemente é acompanhado de outros distúrbios, como depressão (em 90% dos casos), abuso de bebida alcoólica (48%) e manifestação de anorexia ou bulimia (32%).

De acordo com pesquisas, a faixa etária em que se observa mais casos é a que vai dos 15 aos 20 anos e o mal não apresenta prevalência no que diz respeito a gênero: acomete homens e mulheres na mesma proporção. 

Uma possível explicação para a fase da vida em que o problema surge faz referência ao momento da existência humana em que o cérebro está em plena efervescência.  

Estudos mais robustos sobre o tema apontam origem neurológica para o problema. De acordo com tais observações, o cérebro dos pacientes que sofrem com TDC "experimenta" um descompasso de substâncias como noradrenalina, dopamina e serotonina, especialmente em regiões relacionadas à visão e ao gerenciamento de emoções. O que acontece é que os referidos compostos estão associados a mecanismos de recompensa, ansiedade, motivação e humor e tal tipo de alteração eleva o nível crítico da própria imagem.

Infelizmente, não há medicamentos específicos para combater o transtorno. O tratamento compõe-se de antidepressivos associados a terapia. "A dupla" não elimina a distorção da própria imagem, mas reduz os efeitos dos sintomas (o paciente consegue evitar que estes prejudiquem seu cotidiano e seus compromissos mais importantes). 

Se você conhece alguém com essas características, a Faculdade Redentor orienta: essa pessoa precisa da sua paciência. Pode ter certeza de que não se trata apenas de um excesso de vaidade. 

[Fonte: Veja.com / Saúde] 

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