É preciso discutir, amplamente, a questão da alfabetização para crianças cegas

A apresentação à leitura para crianças cegas é uma questão que, não raro, gera debates acalorados.

É preciso discutir, amplamente, a questão da alfabetização para crianças cegas

12

SET

Fato é que existe uma grande diferença entre a construção da alfabetização e o acesso ao Sistema Braille. Não se trata da mesma coisa.


Ambos os processos caminham, sim, lado a lado, mas existe uma diferenciação em relação à criança vidente, exposta, diariamente, a um mundo colorido e repleto de informações visuais, amplamente captadas pela visão.  Tudo isso associado ao interesse e à curiosidade natural das crianças, colabora com a ampliação de seu vocabulário e formação de imagens mentais que – conectadas à função dos objetos, figuras e à relação com o meio – favorecem a construção do conhecimento neste mundo letrado.


É fato: a abundância de palavras, frases e slogans favorece a vivência, a compreensão e a pseudoleitura, fatores estes que são absolutamente indispensáveis à alfabetização de qualquer criança.


No caso da criança cega, é legítima a preocupação de pais e professores no que tange a qual seria o melhor momento para iniciar a sua alfabetização. 


A criança com deficiência visual precisa de experiências variadas e concretizadas por meio de objetos, brincadeiras, jogos, situações do cotidiano e da relação com o outro. E todas essas experiências precisam ser percebidas, sentidas e vivenciadas na situação real.


A criança que enxerga poderá – ao se deparar com um texto – por exemplo, ler o título de relance, porém, aquela que é cega fará a mesma coisa de modo muito diferente. Em contato com o mesmo texto escrito em Braille, precisará apoiar as mãos e dedos sobre ele e reconhecerá com a polpa do dedo indicador, apenas uma letra, isto é, um conjunto de caracteres em relevo que formam a primeira letra do título. Sendo necessário deslizar os dedos para que a leitura da palavra seja concluída ponto a ponto.


É por isso que é fundamental que o assunto seja amplamente discutido!


A leitura é o veículo de cultura do qual a pessoa com cegueira não pode prescindir. Logo, deve ser acessível para todas as crianças, viabilizando sua autonomia e independência na expressão de seus sentimentos, em seus desejos e em seu processo de comunicação.



[Fonte: www.portalacesse.com] 



icone do twitter