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O Brasil e a dengue

Na guerra contra a dengue, um episódio – ocorrido em 2015 – deu mostras do porquê o Brasil tateia no que diz respeito a vencer a ação do mosquito transmissor para, assim, erradicar a doença. Quatro pacientes – recém-transplantados de medula óssea – adquiriram a doença...dentro do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

O Brasil e a dengue

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OUT

Dentro do hospital?

Isso mesmo, dentro do hospital.

Amaro Nunes Duarte Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP), mantenedora do hospital, conta que os pacientes foram diagnosticados de forma tardia porque a última coisa que o corpo clínico poderia imaginar era que o perigo estivesse exatamente no último lugar em que se pensaria nele.

Segundo o médico patologista, diante do quadro revelado, teve início uma grande busca pelo hospital. O intuito era descobrir onde estava o criadouro do Aedes aegypti (o mosquito transmissor). A “caçada” revelou que não se tratava de um único criadouro, eram inúmeros. E estavam no fosso do elevador do hospital, uma área próxima à unidade de transplante e doação de sangue.

Um perigo, não?

Pois é. De acordo com o médico, a episódio serviu para ilustrar que, onde quer que estejamos, estamos – sempre – sob risco. Porque a área em que vivemos é endêmica, ou seja, altamente favorável para que a dengue se prolifere.

Este, definitivamente, não é um obstáculo fácil de ser transposto. No mês passado, o Ministério da Saúde divulgou relatório que informava terem sido registrados – nos primeiros oito meses de 2019 – 1.439.471 novos casos de dengue no Brasil. Isso significa um salto de 600% em comparação com o mesmo período do ano passado. São várias as unidades da Federação que se encontram em situação de epidemia e, em São Paulo, a incidência já é 37 vezes maior que em 2018. 

O problema torna-se muito mais complexo se pensarmos que há um conjunto de fatores que favorecem a proliferação do mosquito no Brasil. Além das condições ambientais extremamente favoráveis (com temperaturas variando entre 20 e 40 graus na maior parte do território) temos que as regiões mais densamente povoadas – como Sul e Sudeste – contam com regime de chuvas adequado ao ciclo reprodutivo do mosquito (extremamente adaptável às eventuais variações climáticas tropicais). Além disso, estamos inseridos em um crescimento urbano desordenado e precário, marcado por falta de fornecimento regular de água, de saneamento básico, de coleta regular de lixo, de política de reciclagem e de educação para promoção de saúde.

Como deu para perceber, muito ainda temos pela frente se quisermos, um dia, vencer a ação do mosquito e erradicar a dengue.

Pesquisadores são unânimes ao dizer que, na impossibilidade de acabar com o mosquito transmissor, a saída para conter a doença é investir em educação e tecnologia. 

E por educação entenda-se um trabalho maciço de conscientização junto à população. Para que não haja água parada nos quintais, logo, para que a procriação do bicho diminua de forma considerável.

O primeiro caso de dengue no Brasil foi documentado – clínica e laboratorialmente – em 1981, em Boa Vista (RR). Mas, de acordo com o Instituto Oswaldo Cruz, há relatos de ocorrência da doença muito antes disso, no fim do século 19, em Curitiba, e no começo do século 20, em Niterói.

E a teoria mais aceita é a de que o mosquito – originário da África – chegou ao território brasileiro, muito provavelmente, cerca de 100 anos antes desses registros, a bordo de navios negreiros.


[Fonte: G1 // Bem Estar]


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